MESA “SAUDAÇÃO OS POVOS” PROMOVEU ENCONTRO DE LEDA MARIA MARTINS E AILTON KRENAK NO FLI-BH
Na noite desta sexta-feira, 27 de setembro, a mesa “Saudação os povos” reuniu a poeta, ensaísta e dramaturga Leda Maria Martins e o ativista indígena dos direitos humanos Ailton Krenak,“Menções honrosas” nesta edição do FLI-BH. A professora, jornalista e escritora Rosália Diogo mediou o bate-papo com o público que lotou o Teatro Francisco Nunes.
O canto e a voz foram os elementos condutores desse encontro e guiaram o tom da conversa. Conforme afirmou Leda “a gente resiste pela voz e canta para sobreviver, sem desanimar”. Visivelmente emocionada pelo reconhecimento concedido pelo evento, ela destacou a felicidade por compartilhar essa homenagem com seu grande amigo Ailton Krenak.
“Esse nosso encontro num evento que celebra a literatura nos empurra a experimentar a extensão da ideia da literatura”, apontou Krenak, que comentou achar curioso ser considerado um escritor, já que não escreveu nenhum livro. “Essas obras foram feitas a partir de minhas falas públicas. Fico admirado com a potência que o livro tem para compartilhar ideias e possibilitar encontros”.
Ailton ressaltou também que povos originais sustentaram sua memória e sua narrativa, esse acervo de conhecimento, através da oralidade. “Nossos antepassados davam conta de tudo em narrativas vivas, que continham outras práticas de transmissão ancestral”.
Leda Martins salientou que a humanidade está perdendo o som da vocalização, que é em si a coisa que anuncia. “A potência da palavra é muito grande entre os povos tradicionais. Mas nesses últimos quinhentos anos, prevaleceu a ascendência do livro, pois a escrita tornou-se uma das medidas da razão humana”.
Ela evidenciou ainda o preconceito presente no conceito cultura popular. “Nossos ancestrais não viajaram sós, trouxeram consigo seus conhecimentos e tradições. E o termo cultura popular não expressa a complexidade desse conhecimento”. E sublinhou a importância da voz para o povo negro: “A voz falada e cantada traz consigo uma corporeidade. A voz é o corpo. Por isso, em toda reunião onde estão os negros se canta e se dança, isso é uma das nossas características constitutivas”, explicou.